quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Marrocos Junho 2016 - Missão Deserto

Em 2016 após algumas mudanças na minha vida em que ou arrendava casa ou ia de férias, decidi por ir de férias pois é bem mais enriquecedor e casa arranja-se em qualquer altura. O que decidi fazer? Pois bem, realizar o sonho antigo de ir a Marrocos/África com o meu próprio carro.
Andei meses a preparar a viagem com alguns amigos, mas infelizmente não conseguiam ir na altura que eu podia por motivos profissionais. Destinado a ir sozinho, falei com o meu amigo Daniel (chequem aí o trabalho dele, tatuador de old school) e fomos os dois no meu carro á aventura sem grande coisa planeada. Alguma comida, sacos cama, tenda, cadeiras de campismo e alguma roupa: vamos embora!

A primeira incursão correu mal. Apesar de ter feito uma revisão ao jipe antes de ir, não sei se foi de reforçar a embraiagem mas rebentei com a caixa de transferências nem tinha chegado á fronteira com Espanha sequer. A viagem ia ser memorável, sem dúvida. Chamado o reboque, voltamos á oficina e tratei logo de comprar uma caixa de transferências para me safar. Voltamos a apontar a data de saída para 1 de Junho. O que iriam ser quase 20 dias em Marrocos já tinham baixado para 10 a 15 devido ao imprevisto. Nada que nos deitasse a moral abaixo.

Partimos de Lisboa no dia 1 de Junho ainda de madrugada, deviam ser cerca das 5 da manhã. Condução tranquila até Tarifa para tratar de comprar os bilhetes de barco. Ainda bem que não comprei antecipadamente ou teria de ter gasto dinheiro duas vezes. Pedimos informações sobre onde comprar, e apanhamos o barco ao início da tarde.
A cena fixe de apanhar em Tarifa, e é o que aconselho todos a fazer, é porque somos obrigados a tratar do visto dentro do barco, evitando a confusão na fronteira em Ceuta. Não há esquemas nem filmes, apenas uma fila e uma pessoa a carimbar o passaporte e está feito. Quando atracam em Tanger a história é outra. Novamente fila para entrar no país e tendo levado carro próprio é necessário preencher os papéis para garantir que trazemos o carro de volta. Estive mais de uma hora á espera que alguém me assinasse um papel. Quando desci já estava o porto vazio e eu era o único veículo ali.
E começa aí a ciganisse dos Marroquinos. Veio um marroquino dizer que me vão abrir o portão, para eu lhe dar o bilhete e alguns dirham, mas reparei que falou mais baixo. E eu ao perceber isso respondi alto, em bom som e em francês que não tinha dirhams e perguntei o que tinha de fazer. O rapaz ficou atrapalhado a olhar para a polícia do porto e percebi que era uma maneira de ganhar algum por fora. Levou-me o bilhete e lá abriu o portão para eu começar a aventura em terras africanas.

Primeira chapada de realidade: o trânsito. Eu já sabia que ia ser caótico, mas não estava á espera do que vi! Uma faixa rapidamente passa a 2 ou 3, então 2 ou 3 faixas passam logo a 4 ou 5 sem problemas. Para não falar nas motas, parece que até vêm de cima! Primeira dica: A cena é conduzir como um taxista português, sem olhar pra lado nenhum e andar só em frente e meter o carro em todo o lado á toa, acreditem que resulta! Como me disse um Marroquino: não há acidentes porque apesar de conduzirem mal, conduzem devagar. Não sei se isto se aplica muito bem á realidade porque eu via Mercedes 240D dos anos 70 a passar por mim a abrir a mais de 100km/h em estradas que eram quase caminhos de cabra.
Íamos nós directos para Chefchaouen quando numa rotunda nos mandam parar. Segunda chapada de realidade: a polícia. Claramente a tentar sacar multas a estrangeiros, apontam-me uma pistola de radar em 2 segundos para tirar uma foto, mandam-me parar, pedem documentos e eu a falar em francês dou tudo na boa e ao sair do carro o tipo mostra-me a foto do carro a indicar que ia a 82km/h e que tinha de pagar ali na hora 500 ou 600 dirham (50 ou 60 euros mais ou menos). Ri-me e disse que não pagava porque se eu fosse aquela velocidade a descer e numa rotunda, passava por cima da rotunda, seria impossível travar a tempo sequer de curvar. Disse também que fossem multar os condutores que iam á minha frente pois eu seguia á mesma velocidade deles. O polícia continua a dizer que tenho de pagar e que não me dá os documentos. Eu ri-me e disse para ele guardar os documentos então mas para ligar ao superior dele para ele se deslocar ao local que eu ia ligar para a embaixada para chamar um representante. O polícia ficou meio atrapalhado e disse para irmos para o carro, perguntou-me de onde era, para onde ia, se achava que o CR7 era o melhor jogador do mundo, deu-me os documentos e disse para seguir com cuidado e mandou-me á minha vida. Segunda dica: nunca falem em francês com os polícias. Sempre em português, digam sempre que não percebem mais nenhuma língua, nada, nunca lhes dêem os documentos e digam sempre que não percebem nada. A maior parte das vezes só querem extorquir dinheiro e como não conseguem comunicar fartam-se e mandam as pessoas embora.

Chegamos á cidade azul ao fim da tarde e como queria ir dormir a Fez, não tínhamos muito tempo a perder. Estacionei no centro e veio logo alguém falar connosco para servir de guia. Mesmo dizendo que não tínhamos tempo ele insistiu muito, como é hábito com todos os marroquinos e lá aceitamos dar uma volta pequena. Ele falava português, tinha vivido em cascais por uns tempos o que fez a voltinha agradável até. Fiquei com pena de não ter passado um ou dois dias inteiros em Chefchaouen, a cidade tem um feeling muito calmo em que tudo parece tranquilo e a fluir sem grandes problemas.

Desde Tanger até Fez o caminho parece muito a Beira Interior em Portugal o que me estava a deixar ligeiramente baralhado. Então mas eu vim para aqui para ver deserto e só vejo montes verdejantes?
De relembrar que era final do dia e estávamos a conduzir desde as 5AM. Chegamos a Fez depois de jantar, cerca das 9 ou 10 da noite e estávamos nós á procura do parque de campismo onde íamos ficar quando um carro começa a andar ao nosso lado e atrás de nós a apitar sem parar e a pedir para falar connosco. Ignorei durante um bom bocado, digamos uns 10 a 15 minutos e depois de termos feito a avenida onde estávamos umas 5 ou 6 vezes. Parei o carro e até fui um pouco agressivo ao perguntar o que ele queria e a dizer que eu não queria ajuda mas não é que ele falava português? Perguntou se nos podia ajudar e que conhecia um parque de campismo ali perto que nos podia levar lá. Sendo que estava a conduzir há demasiadas horas, aceitei. Levou-nos para o Camping International de Fez, muito barato mesmo, talvez por estar vazio, devia ser época baixa. Fizemos a inscrição e o Sr. perguntou se queríamos um guia que fala português para passar o dia connosco dentro da Medina, a maior do mundo, com mais de 9000 ruas, que eram primos e ser guia era o negócio dele. Penso que o preço era cerca de 250dr por duas pessoas e depois de pensar um bocadinho e trocarmos umas ideias, aceitamos. Foi um risco, sem dúvida, mas que veio muito a calhar.

No dia seguinte acordamos cedo e fomos à porta ter com o nosso guia que falava um português muito bom, um Sr. super simpático e sempre interessado em nos ensinar tudo e sempre pronto a responder a qualquer pergunta. Fomos á fábrica de cerâmica, andamos perdidos em ruas e ruelas e becos, visitamos a fábrica das peles, almoçamos num restaurante com uma comida brutal, visitamos Madraças incluindo a mais antiga do mundo e espreitamos mercado atrás de mercado e tudo oque fosse loja de bijuteria.




Claro que no meio disto tudo, o guia tem tudo combinado com os donos das lojas e recebe algum caso se compre alguma coisa, mas ele também é o primeiro a dizer: se não quiserem, e repito, se não quiserem não compram nada, os donos vão querer vender tudo mas vocês só aceitam se quiserem. Terceira dica: nunca se mostrem interessados em nada se realmente têm dúvidas ou não vão comprar pois nunca mais vos largam nem deixam ir embora. Tivemos essa experiência na loja das peles e não foi agradável pois já não sabíamos como explicar que não queríamos. Mantenham em mente que essas lojas e restaurantes a que vão com o guia são completamente para turistas portanto os preços são sempre inflaccionados. O almoço, por exemplo, lembro-me que era mais ou menos o preço de uma refeição em PT, mas como era muito bom, nem achei má onda o que me cobraram. Portanto, não fiquem com vontade de comprar coisas nesses sítios, o melhor será mesmo comprar na rua numa loja que encontrem e achem piada, mesmo que o guia diga que conhece um sítio melhor.

Fomos para o parque de campismo contentes com o dia que tivemos, o guia foi mesmo boa onda e vimos coisas brutais e estar na maior Medina do mundo é qualquer coisa. Estávamos nós a tratar do nosso espaço no camping quando me vêm chamar, a dizer para ir à recepção, o que estranhei porque o tipo nem francês falava. Qual não é o meu espanto quando vejo uma caravana com matrícula portuguesa na porta em que estavam exactamente na mesma situação que nós, foram á toa para Fez e o mesmo senhor que nos apanhou na avenida, também os apanhou a eles e levou-os para ali. Era um casal já na casa dos 70 muito simpáticos que tinham o objectivo de viajar por um mês em Marrocos. Dissemos que o camping era de confiança e que podiam fazer a tour com o guia á vontade. Fomos jantar a uma pizzaria perto e comer um gelado num sitio que parecia claramente para pessoas com mais dinheiro que o normal, tanto era que as coisas até eram um pouco mais caras que na rua, mas valia muito a pena.

O dia seguinte começou cedo, partimos em direcção a Ouzoud para ver as cascatas. O caminho já começou a ser bem diferente do que tínhamos visto antes, mais árido e montanhoso a partir de Khouribga. Deu para almoçar algures no meio do nada debaixo de uma estrutura esquisita em que sai um miúdo aí com uns 10 anos de trás do monte a ouvir música no telemóvel como se nada fosse e como se estivesse em casa. E se calhar estava, havia umas casas bem ao fundo, mas estamos a falar de serem 14h e estarem mais de 40º.







Chegamos a Ouzoud entre as 17h e as 18h e claro que mal paro o carro vem alguém ter connosco para ser guia local. Não me lembro de quanto cobrou mas não era caro então aceitamos. Levou-nos através de umas plantações, explicou-nos o que fazem ali na zona a nível de licores e óleo de argão e assim que demos de frente com as cascatas foi mágico. 110M de água a cair num cenário irreal foi o suficiente para perceber o porquê de tanta gente voltar a Marrocos anos após anos, há sítios que parecem mágicos, este é um deles. Conhecemos os macacos selvagens que só querem amendoins e roubar tudo o que mexa (são iguais aos de Gibraltar) e ainda fiz uns bons negócios com prata numa barraquinha. Quarta dica: mesmo que fiquem interessados por alguma coisa, mostrem desinteresse e digam sempre que um bom preço seria de borla. Eles vão dizer que ficam ofendidos e mostram-se chateados mas vocês começam a ir embora a dizer que então não querem e eles vão começar a baixar o preço. Acabei por trazer 3 ou 4 coisas por menos valor do que ele pedia só por uma. Óbvio que ele está a ganhar dinheiro, nuca vão sair a perder, mas há que saber negociar para não sermos enganados.



Ao ir embora o guia vem connosco e começa a perguntar se não tínhamos mais algum dinheiro ou coisas que lhe pudéssemos dar. Dissemos que não e ele começou a ficar chateado a dizer que o que tínhamos acordado era pouco. Dissemos sempre que não e que íamos embora e que não podia ser. Ele foi embora todo chateado mas a questão aqui é não voltar atrás nem dar parte fraca. Tinha visto na net que havia um camping ali mesmo perto chamado Zebra e fomos lá pedir preços. O campismo era de um Sr. alemão que nos fez um preço altamente por uma espécie de bungalow, nem foi preciso tirar a tenda. Ainda nos fez um jantar impecável e ficamos a aproveitar a net, que era escassa em todo o lado.
No dia seguinte a seguir ao peq. almoço perguntei qual o melhor caminho em direcção a Merzouga em que o dono do camping me deu umas dicas para ir em off-road, num caminho super fácil pois estava sozinho e não podia arriscar ficar pendurado em nenhures sem rede de telemóvel. Assim foi, metemos viagem em direcção ao deserto e nunca pensei que iria ver das melhores paisagens de sempre.


O caminho off road passou mais ou menos de Tilouguite a Anergui em que acabamos por ir dar á estrada antes de Ilmichil. Penso que me tenha enganado pois voltamos um pouco para trás fazendo esse dia mais comprido do que estávamos á espera. Almoçamos junto a um rio, andamos km e km sem ver uma única povoação mas no entanto havia sempre pessoas a passar. Mas como? Porquê? Estão 40 graus, não há casas á vista, km só a ver montanhas e continua a haver pessoas? Tá certo.
Às 15h desse dia passamos no ponto mais alto da nossa viagem, cerca de 2700M de altitude e a vista era deslumbrante. O que mais me espantava era estar a 2500M de altitude e haver planícies enormes á nossa frente. Estar em pleno atlas é do outro mundo e toda a gente devia fazer esta estrada.
Fomos em direcção ao Gorges Toudra que é verdadeiramente impressionante, eram 18h30 ao passar Tinghir e pensei em dormir nessa zona mas a vontade de ir até ao deserto era mais que muita. #NoSleepTillMerzouga
Foi um pequeno erro pois realmente já era tarde mas olhando para o mapa parecia tudo tão perto... mas não! Realmente quando o GPS vos diz que vão demorar 3h30 a fazer 150 km, acreditem que vão até demorar mais. Queria dormir no Auberge du Sud pois sempre ouvi maravilhas então siga lá para o meio do deserto, noite cerrada, sem lua, procurar uma luz no horizonte escuro numa estrada de terra batida aos solavancos em que mais parecia que o jipe se ia desmontar todo, que por sua vez também estava em obras então todos os caminhos que o GPS mandava estavam cortados por bancos de areia e como estava escuro cerrado não conseguia enxergar o acesso novo. Acho que nesta noite o desespero já era mais que muito por encontrar o sítio, a frustração estava a levar-me á loucura, não conseguia perceber se havia estrada, se havia algum declive ao lado da estrada, não percebia sequer se estava a ir na direcção correcta. Mas do nada encontro um caminho, viro para lá e dou de caras com o albergue! Nem queria acreditar. Eram cerca das 23h e ainda nos deram jantar e tudo. Ao menos o staff era muito boa onda e prestáveis. O dia seguinte ia ser passado de molho na piscina com vista para as dunas do Sahara, já estávamos a merecer. Acordamos de propósito para ver o nascer do sol atrás das dunas e fomos ver o por do sol ao final do dia para absorver as cores do céu e das dunas. Senti-me grande por estar a fazer esta viagem mas senti-me pequeno na imensidão de areia á nossa volta, senti-me mais pequeno que os grãos de areia mas não deixei de me sentir grato por aquele momento, por estar num sítio tão remoto, apenas com um dos meus melhores amigos para partilhar aquele pôr do sol. Durante o dia perguntaram se queríamos andar de camelo ou moto4, mas não me apetecia conduzir e depois de ver os camelos presos ao chão sem sombra ou água ou comida achei que não queria compactuar com isso e declinei.
O jantar foi junto á piscina acompanhado de música tradicional berber, muito agradável. Se estão á procura de um sítio para ficar no deserto, este albergue é muito aconselhável mesmo sendo um pouco mais caro relativo á realidade marroquina.





 Baterias carregadas e objectivo de ir ao deserto cumprido, estava na altura de seguir viagem. Saímos bem cedo no dia seguinte e fomos em direcção a Ouarzazate. Reparamos que de dia o caminho para entrar no albergue era super simples e que era tudo plano á nossa volta. De noite tudo é assustador! Decidimos ir por cima, por Tinghir, para podermos ir ao Gorge du Dades e valeu mesmo muito a pena ver aquela estrada aos S a subir a montanha. A chegada a Ouarzazate foi tranquila, mas como sabíamos que não havia muito para ver localmente fomos logo em direcção a Aït-Ben-Haddou, património da Unesco e local onde filmaram filmes e séries como Gladiador, Lawrence of Arabia ou Game Of Thrones. Pequena cidadela com vários kasbahs feitos em tijolos de terra secos, dando o aspecto de ser uma cidade feita de barro/lama, em que algumas casas podem atingir os 10m de altura.
Demos um pequeno passeio pelo interior, havia poucos turistas que fazia do passeio muito mais agradável. Uma situação caricata foi ao passar junto a uns miúdos um deles começou a mandar para o ar a nossa nacionalidade e quando diz português nós dissemos que sim, isto sempre a andar, ao que ele começa a gritar: batata frita, Cristiano Ronaldo! Claro que nos rimos durante um bom tempo dessa situação.



Ao ir embora fomos ter com um Sr que disse que nos vigiava o carro caso fossemos ver a loja dele a seguir. Como prometido entramos na loja e decidimos negociar uns tapetes marroquinos e foi aí que tive a terceira chapada de realidade: ao baixarmos o preço o Sr. diz que o aceita mas para lhe darmos alguma coisa, telemóveis antigos, roupa, calçado ou mesmo medicamentos. Foi aí que me bateu que realmente estamos a negociar quase a vida deles. Claro que ele iria fazer dinheiro com o negócio, mas realmente o que nós tomamos como garantido, já não é o mesmo para aquelas pessoas. Fomos buscar umas quantas caixas de medicamentos ao carro e entregamos tudo ao Sr. que ficou super contente e nos desejou bom resto de viagem.
Fomos para Ouarzazate para tentar encontrar o ríade de uns portugueses mas sem sucesso e como não tínhamos net era impossível arranjar o número para ligar e decidimos fazer a coisa mais estupida de sempre a um fim de tarde: vamos directos para Marrakech, são só 200km ou cerca de 4 horas, chegamos lá depois de jantar, é na boa. Mas não foi na boa. Ao sair de Ouarzazate partiram-se as correias dos acessórios e consegui ir com o carro até a uma bomba, pedi ajuda no café local e uma pessoa disse logo que me ajudava, levou os pedaços de correia que ainda estavam pendurados e foi de mota buscar duas correias novas. Quando voltou já eram perto das 21h, foi o tempo de montar e seguir caminho. Devia ter perguntado por um sítio para dormir mas como sou teimoso decidi seguir e foi a experiência mais assustadora de sempre pois atravessamos o Atlas de um lado ao outro numa escuridão tremenda com o caminho quase todo em obras cheio de camiões e de marroquinos malucos que conduzem sem regras de trânsito. Chegamos a Marrakech já eram cerca das 2 da manhã, demos umas quantas voltas á procura de um sítio para dormir e ficamos num camping que até era bastante bom, com piscina e ginásio.
A entrada na cidade no dia seguinte foi fácil, mesmo com o trânsito de loucos que existia e apesar de termos estado numa operação stop uns quantos minutos enquanto eles verificam o cartão do cidadão e os documentos do carro. Ainda disse que não percebia francês nem inglês mas aparece um tipo mal humorado a falar espanhol, foi difícil fugir a um pequeno interrogatório sobre o que andávamos a fazer por Marrocos e quantos dias e onde tínhamos ido, mas correu tudo bem.
Após termos estado em sítios brutais em Marrocos, Marrakech não é assim nada do outro mundo, até achei a pior cidade de toda a viagem ficando com muito pouca vontade de lá voltar. Tem uma pequena Medina, o sumo de laranja da praça central é maravilhoso, o caos de pessoas e trânsito é engraçado de ver, mas não vejo que tenha muito mais para oferecer depois do que já tínhamos visto pelo país fora. Comemos umas coisas no Mcdonalds, que não tem que enganar, e seguimos viagem em direcção a Casablanca para fazer um pouco da costa no regresso a casa mas correu mal, os tubos da água do motor do meu jipe rebentaram e tive de encostar na auto-estrada a poucos km de Casablanca. Chamamos o reboque, tivemos dois dias de volta do carro para resolver a situação que ficou mal resolvida, era altura do ramadão e como estavam sem comer foi um filme, estavam todos mal dispostos e sempre a refilar, o tipo do reboque ficou chateado porque eu não aceitei ir logo com ele porque estava á espera de confirmação da seguradora que era para ir com ele, bem, só visto mesmo! Quinta e última dica: se tiverem problemas falem sempre com pessoas que trabalhem em sítios oficiais e identificados como tal. Não o fiz e saiu-me um pouco caro, mas não vou entrar em pormenores sobre isso pois este post é para celebrar a viagem e não as desgraçadas.
Com este stress todo decidimos vir embora directos para PT, ou seja, saímos da cidade onde estávamos, Settat, às 22h e cheguei a Lisboa às 17h do dia seguinte, parando somente em Tânger para apanhar o barco.



Este último problema com o carro fez-nos cortar a viagem em mais uns dias, e uma viagem que inicialmente era de 15 a 20 dias, passou a ser entre 10 a 15 e de repente ficou em 7 dias. Fiquei com muita pena de  não ir a Casablanca, Rabat e mesmo a Alcácer-Quibir, mas certamente irá ficar para uma viagem no futuro, tenho mesmo de voltar a Marrocos e desta vez fazer a costa atlântica.

E foi isto, 4270km, 70h atrás do volante, cerca de 500€ em combustível, outro continente, um país totalmente diferente. Se soubesse que ia acontecer tudo isto de novo, ia outra vez? Era já.

Já tive grandes viagens, desta vez correu menos bem mas não é isso que me detém ou me deixa em baixo. Olho para esta experiência como enriquecedora e como aprendizagem. Portanto não pensem muito, façam a mochila e vão! Seja qual for o país ou continente, vão! Arrependo-me muito mais de quando não vou. Viajar enriquece a nossa vida muito mais do que qualquer euro que tenhamos no banco.

Brevemente virá o post sobre a viagem á Roménia, just wait for it, 5 dias de loucos num Dacia Logan velho entre montanhas e estradas aos S e visitas a ursos.

Stay Fresh!

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