quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Reality Slap tour 2014 - 9 Países e 14 cidades


No ano passado tinha guardado uns dias de férias para o final do verão que acabei por adiar até Outubro devido a outras questões, e não podia ter calhado melhor. Reality Slap iam em tour e perguntaram-me se queria ir, não hesitei pois sempre foi um sonho meu andar em tour com uma banda, já que tive duas até hoje e nunca fiz uma tour pela Europa com nenhuma, o máximo que tocamos fora foi em Vigo e Barcelona.

Eles começaram a tour no dia 8 de Outubro mas só pude ir ter com eles no dia 13, segunda-feira. As viagens estavam super caras e só consegui comprar uma viagem de ida para Viena por cerca de 200€ e foi o sitio mais barato, imaginem o resto. Nessa noite eles tocavam em Graz e como cheguei por volta da hora de almoço, deu para visitar o centro de Viena. Há comboio no aeroporto para o centro da cidade e custa 12€ e demora cerca de 16minutos. Not bad. Viena no centro é engraçado, tem os típicos edíficios de cidade europeia sendo o da Biblioteca Nacional o mais bonito, uns parques engraçados, tudo organizado. Não me podia demorar muito mais então vi o básico e do que vi, acho que a cidade não tem nada de mais para oferecer e dá para visitar num só dia. Fui a pé do centro até á estação de comboios de Wien Westbahnhof para apanhar o comboio para Graz quando me informaram que não seria ali mas noutra estação, a Wien Matzleinsdorfer Platz. Apanhei o metro, sempre um pouco perdido visto ser tudo numa lingua bem diferente da minha, mas nada que me preocupe. Tive de esperar uma hora pelo meu comboio visto que tinha acabado de partir um quando cheguei e custou-me 35€ para andar 2h30m até Graz. Haja dinheiro!


Eles foram ter comigo á estação e fomos para a venue para eu poder jantar e deixar as minhas coisas. Era uma espécie de casa comunitária para os jovens organizarem actividades (se não estou em erro), sala pequena como se quer num concerto hardcore. O concerto correu bastante bem e tive logo uma surpresa enorme: a última banda que tocou nessa noite era bastante boa! The Hunters, que oiço regularmente e até comprei o vinil deles nessa noite. Dormimos em casa de um amigo nosso português que vive em Graz (what'up Joaozinho) e no dia seguinte rumamos até Praga.


Dia 2 - Após um granda pequeno almoço tardío comprado no Lidl seguimos caminho pois tinhamos umas 7 horas de viagem pela frente. Chegamos demasiado tarde ao concerto que era num café, o Na Pul Cesty e só conseguimos tocar alguns minutos. O promotor era muito verdinho a organizar e não fez as coisas da melhor maneira possível, nem as bandas que iam tocar com RS ajudaram, o que tornou o concerto demasiado curto e stressante. O ponto positivo foi termos conhecido o Pavel, lenda do HC de Praga e que estava encarregue do som no concerto e que normalmente até é ele que organiza os shows e não compreende como este lhe escapou, que nos ajudou com tudo, arranjou-nos um sitio para dormir, coisa que não lhe competia a ele mas sim ao promotor que se pôs a andar logo a seguir ao show. Grande Pavel, és o maior!


Dia 3 - Não tínhamos concerto nesta noite e como tal decidimos passear por Praga. A cidade é brutal, foi das que mais gostei nesta viagem. A Charles Bridge e toda a zona envolvente é qualquer coisa de brutal, quase nos transporta para outra época. Algures entre o castelo e a ponte existe a rua mais estreita do mundo (podem ver aqui) e percorrer a Wenceslas Square é optimo para nos perdermos a apreciar toda a arquitectura e a vista. Saímos de Praga ás 18h e seguimos para Poznan, viagem de 8 horas com duas paragens pelo meio. Nevoeiro cerrado ao entrar na Polónia mas correu tudo bem. Nota-se a diferença da Republica Checa para a Polónia, sendo Polónia um pouco mais rural. Isto foi o que me pareceu á primeira vista e por só ter percorrido da fronteira até Poznan e consequentemente até á Alemanha. Poznan é bastante pequeno e a venue era mesmo no centro da cidade, numa squat (casa ocupada) enorme. Estacionei a carrinha e carregamos o material todo para a venue e levamos as nossas coisas. Ficamos algo apreensivos quando o Camil, o promotor, fechou a porta com bué correntes e barricadas e nos disse que tinha de ser assim pois sofriam bastante com repressão policial e de nazis. Está optimo oh bacano! Mas tendo em conta que sao umas 3 da manhã, queremos é dormir!

 Dia 4 - Acordamos algo desconfortáveis, tinhamos sido picados durante a noite por alguma pulga ou assim, o Bruno que o diga que tinha a cara feita num 8! Tomar banho foi uma tarefa dificíl e lá pedimos para nos abrirem as barricadas para saír. Após espreitar durante um bocado para a rua por um buraco para ver se estava tudo bem, lá nos abriu a porta. MEDO.
Como disse antes, a cidade era pequena e termos o dia todo livre foi um bocado secante, mas por outro lado deu para estar á vontade a relaxar. Vimos o centro da cidade toda, eu e o Gaiola jantamos num Kebab do outro lado da rua da venue super barato e muita bom e fomos pro concerto. Foi fraco, não tinha muita gente e andavam lá uns gajos a passar som, um techno muita esquisito e muita freak que era demais para a nossa cabeça. Nem tentei perceber o que era! Após o concerto fizemos a pergunta: vamos dormir e ser devorados por insectos ou vamos para Berlim? Bem, a decisão foi unânime, siga para Berlim! A viagem correu bem apesar de termos chegado muito tarde. Como fomos assim meio á toa o Bruno tinha falado com um amigo dele para ficarmos lá em casa, mas como éramos 5, 2 de nós decidiram ficar na carrinha. Na boa, nada que tampões nos ouvidos nao resolva, o chão da carrinha era grande o suficiente.



Dia 5 - Foi acordar, tomar um banho e esperar pelo PZ que está a viver na Dinamarca e foi ter connosco para fazer uns dias de tour na Alemanha.Como só tínhamos de estar na venue ao final do dia, pudemos andar por Berlim e visitar os sitios mais icónicos da cidade e que cidade! Depois de um almoço vegan no YoYo fomos ver o memorial aos judeus, o muro de Berlim, a portas de Brandenburg e sei lá mais o quê, vocês sabem a quantidade de história e coisas interessantes para ver nesta cidade, claramente uma das minhas preferidas de toda a viagem. A venue era uma antiga squat transformada em algo como casa comunitaria/youth center. Tinha uns 5 ou 6 pisos, o concerto era na cave e tinha um bar a funcionar quase 24 horas. O concerto correu bastante bem, estava bem composto e pelo merch que vendemos diria que o pessoal ficou impressionado. Foi óptimo ter visto dois bons amigos que vivem em Berlim, o Daniel e o Ruben (entretanto o Daniel penso que já voltou a PT). A seguir ao show arrumamos tudo e a sala transformou-se numa disco que parecia uma mistura de Jukebox e Rookie cá de Lx em que passavam todo o tipo de clássicos. Claro que a festa durou até ás 6 da manhã e não descansamos nada. Os quartos, por sua vez, eram no ultimo andar e a qualidade? Tipo hostel de topo! Para não falar do pessoal encerregue do sitio, sempre muito simpáticos e prestáveis.


Dia 6 - Não dormimos muito mas tinhamos um super pequeno almoço á nossa espera. Tempo de carregar a carrinha e seguir direcção a Schwarzenberg que ficava a cerca de 300km de distância para sul. Pensamos que iria demorar cerca de 4horas a fazer a viagem com uma paragem pelo caminho e tal. Tal nao aconteceu e acabamos por demorar quase 6 horas devido a um acidente na Autobahn e o trânsito esteve cortado sem hipótese de fuga. Jogar playstation na carrinha (sim. a carrinha tinha electricidade e TV com PS3), andar pela autobahn até ao acidente pra ver o que se passava. Mesmo assim chegamos cedo á venue que ficava na zona industrial de uma Schwarzenberg muito pequena perto da fronteira com a República Checa. Avisaram-nos que o sítio costumava ter ataques de grupos de extrema-direita (infelizmente isto acontece um pouco por toda a Europa onde existem grupos de escumalha de extrema-direita mais activa devido ao punk-hc ser completamente Antifa) e estavamos um pouco nervosos mas correu tudo bem e sem incidentes. O concerto era numa garagem da ocupa onde houve um jantar antes que nós não percebemos bem qual era o motivo mas que era bastante delicioso, tudo vegan claro. O concerto tinha muita gente, o que nos surpreendeu por ser numa cidade pequena e foi dos sitios onde vendemos mais merch. Surpreendente! Mais uma vez a seguir ao show houve uma pequena festa só com clássicos da MTV e do pop dos anos 90 que nos animou noite fora. Que pérola. Quando foi para dormir, ia subir á espécie de beliche feito artesanalmente quando vi que tinha umas aranhas na parede e "Bubacar não vai dar", dei meia volta e fui dormir para a carrinha onde dormi bem mais confortável de certeza.


Dia 7 - Tivemos de acordar cedo pois iamos seguir para Hamburgo neste dia. Mais uma vez a hospitalidade a rular, um pequeno almoço cheio de coisas optimas e lá fomos nós fazer os 525km que nos separavam da próxima cidade. A viagem correu tranquilamente mas a chegada a Hamburgo foi um pincél, demasiado trânsito e as obras no centro obrigaram-nos a dar voltas e mais voltas, meio perdidos por ruas sem saída e tudo. Lá encontramos a venue, descarregamos a carrinha e ficamos pela zona a fazer tempo. O concerto estava cheio de pessoal pois tocavam duas bandas dos USA. Houve movimento, o concerto correu bem e deu gosto de ver mas quase não se vendeu merch pois o pessoal queria comprar as coisas das bandas de fora da Europa. No hard feelings. Tempo de arrumar a carrinha e ir ver do sitio para dormir. Parece que andamos metade de Hamburgo naquela noite quando tinham dito que "era já ali", chegamos a casa da pessoa onde iamos ficar e verificamos que não havia assim muito espaço mas não ligamos muito na altura. Deixamos as nossas coisas e fomos até á zona do St. Pauli, um clube clássico alemão em que os adeptos é que mandam nas decisões do clube e a claque é completamente Anti-Nazi. Esta noite é que não correu bem em termos de hospitalidade. Ao chegarmos á casa onde iamos ficar concluímos que o espaço era mesmo pequeno (e o PZ e o Bruno já tinham ido para a carrinha dormir). No único quarto existente havia um sofá-cama que mal cabiam duas pessoas, a cama estava ocupada com a dona do quarto e a amiga que não se calavam e o Tiago ainda estava a tentar dormir num banco de madeira que estava na cozinha. Quando me tentei deitar num bocadinho que sobrava no sofá-cama e estava a tentar dormir sinto um cheiro a tabaco enorme e quando abro os olhos vejo uma das bacanas a fumar. A mim não me interessa se as pessoas fumam ou não mas acho uma tremenda falta de respeito quando tem alguém que não conhece no mesmo sitio fechado, ainda para mais num quarto e nem pergunta se é na boa. Levantei-me, arrumei tudo e fui com o Tiago para a carrinha para ver se ainda conseguíamos dormir alguma coisa. Bendita carrinha.


Dia 8 - Saímos um pouco tarde de Hamburgo para percorrer os quase 500km até Aachen o que nos fez chegar um pouco tarde no dia pois gostavamos de ter dado uma volta pela cidade para esquecer a noite anterior, mas tudo o que se passou a seguir fez-nos esquecer qualquer negatividade. A venue era num antigo bunker nuclear, um sítio incrivel! Montes de comida para toda a gente, backstage enorme para descansar, tudo impec! O concerto não tinha muita gente mas até se vendeu bem o que é bom sinal. Conhecemos o Sebastian (Yo, Seb!) e ficámos em casa dele nessa noite. Tinha comida vegan para nós, meteu a nossa roupa suja toda a lavar, o sitio para dormir era super confortável e ele era um granda simpático sempre disposto a ajudar no que fosse preciso. Disse que também já teve banda e que sabe como é sofrível por vezes andar em tour. Melhor não podíamos pedir! O hardcore tem destas coisas!


Dia 9 - Saíamos para Den Haag revitalizados e agradecemos mil vezes ao Seb por tudo. Já na Holanda o tempo mudou completamente e passou de frio para uma tempestade de granizo com chuva e vento enormes. Ao chegarmos á venue, que ficava junto ao mar, havia alerta amarelo na cidade e não se aconselhavam as pessoas a saír. Era mais uma ocupa com restaurante Vegan á hora de almoço, um antigo espaço portuário qualquer, enorme! O concerto era num espaço amplo e estava vazio devido ao mau tempo. Claro que isso não nos impediu de passarmos uma excelente noite, o pessoal do espaço estava a curtir bué, os putos da banda anterior idem aspas e foi uma tourada como sempre. Com pouca gente também se pode fazer a festa! A seguir ao concerto houve jogo de snooker e conversa até ás tantas e fomos dormir numa camarata dentro do espaço com beliches.


Dia 10 - Como a distância era curta até Peer na Bélgica ainda deu para ir almoçar ao centro de Den Haag nas calmas. A viagem correu sem stress e fomos ter á casa do promotor que vivia com os pais, uma casarona enorme. O concerto era num bar, tocamos com uma banda vegan-sxe, os Iron da Suécia que até surpreenderam com o som mas o discurso deles acabou por me deixar sem vontade de ouvir mais. Já não há muita paciência para discursos dos anos 90 que já ouvi mil vezes sobre veganismo e straight edge. Não havia muito pessoal, nem sei como se marcam concertos naquele sitio visto a cidade ser meio fantasma e muito pequena. Apesar disso a hospitalidade valeu, ainda fomos até a uma bomba de gasolina que estava aberta 24h e cheia de comida, e estivemos lá um bom bocado na conversa e a comer. Dormimos em casa do promotor que era super confortável e deu para recuperar todas as energias.


Dia 11- Altura de ir para Paris, cerca de 400km feitos em 5 horas mas com um trânsito caótico no periférico na entrada de Paris em que demorámos 40 minutos para fazer 6km. E há pessoas que aturam isto todos os dias... como?
A Venue era no Cirque Electrique, bem, não era dentro da tenda de circo que isso teria sido hilariante mas sim numa sala ao lado. Deu para ainda receber a visita do Dom, Saya, Nela, Ludovic e do Tiago o que foi a cereja no topo do bolo para meter a conversa em dia e ver umas caras conhecidas. Havia boa comida vegan e o concerto que estava apinhado correu da melhor maneira possível. Orgulho! Vendemos um bom merch nesse dia. Um dos promotores ficou com a tarefa de nos acolher nessa noite, e mais uma vez sem uma única razão de queixa. Ele tinha sido pai á pouco tempo portanto só não podíamos era fazer muito barulho mas acho que o Bull Terrier dele não ligou muito a essa ordem, excitadíssimo por ver tanta gente lá em casa!


Dia 12 - Saímos algo cedo de Paris, a viagem até Bordéus ainda era longa e fomos nas calmas com bastantes paragens pelo caminho. Chegamos cedo ao local do concerto, eram 18h e deu para passear pelo centro da cidade. Estava calor, o tempo não podia ter sido melhor para andar a pé. A cidade é brutal, a parte histórica tem granda feeling. Paragem obrigatória, acho que está no top 3 desta viagem! O concerto foi com uma das bandas mais clássicas dos USA, Hoods, ou seja, casa cheia. O concerto correu na perfeição e os Hoods ficaram crazys com a banda e já queriam marcar tour nos USA! Oh yeah!
Tínhamos uns quartos marcados num pequeno hostel para dormir nessa noite mas não podíamos ficar pois tínhamos concerto em Vigo no dia a seguir e ainda tínhamos de percorrer 1000km. No que resultou? Acabar o concerto, arrumar tudo, comprar comida e siga caminho até o cansaço não dar mais. Acabei por ficar a conduzir por ultimo e aguentei até ás 5 e tal, altura que parei numa bomba e adormeci.


Dia 13 - Acordei por volta das 9, comprei pequeno almoço na bomba de gasolina, beber um cafézinho e siga pois ainda havia muito caminho pela frente, estavamos algures no norte de Espanha antes de Bilbao. Conduzi até á hora de almoço, altura que o sono começou a apertar. O Gaiola foi para o volante e eu descansei até chegar a Vigo, por volta das 18h. Foi engraçado reparar que a venue do concerto era na mesma rua onde eu e o Joao tínhamos tocado anos antes com Eternal Bond. Boas memórias dessa noite! Bom passeio pela cidade, sempre gostei de ir a Vigo, onde já toquei umas 3 ou 4 vezes com EB no passado. O concerto foi com umas bandas muita manhosas de um hc esquisito cheio de beatdowns chatos e até estava bem composto. Para compensar RS deu um concerto bruto, para não variar muito do registo e o pessoal andava crazy lá pelo meio a fazer crowd surf com um barco de borracha e tudo. Foi optimo rever o nosso amigo Quino (What'up VHC), que conhecemos na primeira vez que tocamos com EB lá. Vendemos bastante merch e saímos do concerto com um sorriso enorme. O sitio onde fomos dormir é que não era o melhor. Deixaram-nos com um punk mais velho alcoolico (ele próprio admitia e realmente o cheiro a vinho comprovava) e fomos dormir á casa ocupada onde ele vivia. Não era bem o que me apetecia depois de mal ter dormido na noite anterior e depois de ter feito 1000km numa carrinha e após ter estado num concerto e tendo em conta que estava a ficar meio doente, com um pouco de febre por ter apanhado bastante frio em Paris. Os ânimos na carrinha não eram os melhores e após alguma discussão sobre o que iríamos fazer, lá fomos para a casa ocupada, o cansaço estava a dar cabo de nós, ou pelo menos de mim! Fomos a um restaurante comer qualquer coisa e lá fomos nós de volta para a ocupa com buracos no chão e com tecto a caír e com mais pó que um campo de futebol pelado. Acho que nunca tinha dormido tão quietinho com medo de partir o chão e ir parar ao piso em baixo!


Dia 14 - Acordamos cedo e fugimos daquela casa, ou melhor, daquelas ruínas o mais rapidamente possível e fomos para a estrada em direcção ao Porto, o último concerto desta tour pela Europa. Deu para chegar cedo, estacionar a carrinha no local e andar á toa pela cidade e almoçar. Ainda tive a visita de dois bons amigos do Porto (Yo Nix, what'up Sadik), também estava lá pessoal de Lisboa ('sup meu Foka Baptista) e a melhor surpresa desta viagem: a Joelma foi ter comigo no seu Smart sem eu saber, apareceu lá na rua do concerto! Foi perfeito, não podia ter pedido melhor final para esta tour e viagem brutal que fiz com pessoas excelentes e que correu super bem, um sonho tornado realidade.
O concerto do Porto foi uma loucura, como são sempre todos os concertos no Porto, por isso que dá gosto ver concertos nesta cidade. A sala estava bem composta, o pessoal estava todo super crazy e a rodagem de tantos concertos de seguida fez RS dar um concerto super tight e bem oleado. Que máquina de fazer música que estes miúdos têm!


Voltei para casa com a Joelma, cansado, estoirado, estafado mas de coração cheio, memórias que transcendem qualquer texto que possa escrever sobre elas e com mais vontade ainda de voltar a viajar. De voltar ás cidades que mais gostei, de visitar ainda mais e com o desejo de qualquer dia voltar a ir em tour, principalmente com RS de novo pois nunca me canso de os ver!

Fica então um vídeo que eles fizeram da tour, que vejo regularmente. Warms my heart!


Stay Fresh.

P.S. - Quando nos vimos em Lx conversamos com o Gus normalmente.

P.S.2 - Odds are... já agora alguém aqui me pode vater uma fffunheta?


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Road Trip Portugal / Espanha / França - Junho 2014

No inicio deste ano estava a planear fazer uma roadtrip de mota pela Península Ibérica sempre o mais junto á costa possível. Umas semanas antes das minhas férias descubro que este ano iria haver mais uma edição do festival Wheels and Waves em Biarritz (supostamente seria de dois em dois anos), o que me fez mudar um pouco os planos pois queria bastante lá ir. Acabei por fazer grande parte da costa a sul de Espanha, e em Valência virar para o interior para ir em direcção a França. A melhor noticia foi a Joelma ter arranjado disponibilidade para ir comigo e como ela não é muito fan de duas rodas e na minha mota também é um pouco impossível levar duas pessoas durante muito tempo, ela levou o Smart, que nunca pensei que se aguentasse mas a verdade é que passados uns bons meses e ainda não foi ao mecânico pois está impecável. Valente!

Mas vamos então começar o report, dia por dia, da minha viagem de 3500km numa semana, eu na minha linda Honda Seven Fifty Custom e a Joelma no seu imponente Smart F2. Fomos á descoberta, sem hóteis marcados e as rotas a tomar estavam apenas definidas por alto! Sabia que tinha 5 dias para chegar a Biarritz, o resto é conversa. Levamos o mínimo de coisas pois estamos a tentar simplificar ao máximo as nossas viagens. Chega de malas enormes e tralha desnecessária. Nós os dois, um carro, uma mota, algumas roupas e ferramentas e o amanhã logo se vê!


Dia 1 (Sábado) - Lisboa -> Málaga - 640km

Saímos de Lisboa perto das 10h da manhã e fomos em direcção a Espanha. Era a primeira vez que ia fazer uma viagem tão grande de mota, estava bastante ansioso. Passamos a ponte e fomos em direcção á fronteira em Badajoz e parámos algures nas imediações de Mérida. Foram os primeiros 300km, super calmos. Tempo para comer qualquer coisa, fazer uma power nap e tomar um cafézinho. Seguimos viagem e ao chegar a Sevilha era suposto ter ido em direcção a Gibraltar mas enganei-me na saída e seguimos para Málaga. Não é grave pois já tinha estado em Gibraltar e assim ficava mais perto do meu objectivo principal do sul de Espanha: Deserto de Tabernas. Após 600 e qualquer coisa km páramos a 50km de Málaga, numa hospedaria á beira da estrada com uma vista bastante boa sobre as montanhas ao fundo e quartos super confortáveis. Primeira vez que fiz tantos km de seguida, primeira viagem de sempre que fiz e foi óptimo, ir a ouvir a mota, sentir o vento, o calor, os diferentes cheiros e ver as paisagens, faz-nos sentir vivos, fora desta apatia do dia-a-dia. Pensei que após 600km em cima da mota estivesse super dorido mas surpresa das surpresas, estava cansado, mas o cansaço normal de uma viagem, no dia a seguir acordei mais que pronto para outros tantos km feitos. A Joelma acordou mais cedo do que eu e decidiu ir dar uma corridinha com a vista para a montanha, o que não correu bem pois enfiou o pé num buraco, espalhou-se e torceu o tornozelo de uma maneira que mal o podia pousar no chão. Mas como "ser forte" é com ela, ligou o pé e siga caminho! Nada a fazer.



Dia 2 (Domingo) - Málaga -> Deserto de Tabernas - 300km


Não chegámos a entrar propiamente em Málaga pois seria demasiada confusão e de confusão estava eu farto e além do mais estava ansioso por ver o deserto. Fomos apanhar uma estrada nacional a seguir a Málaga que vai em direcção a Almería e seguimos por aí. Ainda entramos numa zona dos subúrbios de Málaga junto á praia mas estava tanto trânsito que desisti da ideia de ir dar um mergulho. Ao passar junto á costa, a seguir a Motril e antes de chegar a Castell de Ferro ainda deu para fazer um pit stop e apreciar a vista de uma praia enfiada nas rochas com um mar azul-turquesa, tudo perfeito. Ok, a praia podia ter areia, mas acho que é só um pormenor que não interessa tal era a vista. A estrada que estávamos a seguir era a A7 (Auto-estrada do Mediterrâneo) que é de borla e com muitas partes do troço novas, ou seja, alcatrão óptimo para rolar. Descobri nesta viagem que as A são auto-estradas não pagas e que as AP são as pagas. Nunca tinha reparado nesse pormenor. Ao chegarmos á entrada de Almeria apanhámos então a nacional em direcção a Norte para chegar a Tabernas. Fomos á porta dos estúdios de Hollywood que por lá ainda existem (Estúdios onde filmaram os tão aclamados Westerns) e como já eram 17h e estavam quase todos a fechar, decidimos ir para a vila comer qualquer coisa e encontrar um hotel barato. Encontrámos o Hospedaria do Deserto, hotel á beira da estrada com quartos grandes e confortáveis e uma piscina suficiente para refrescar tendo em conta ainda estarem mais de 30 graus ás 18h, não fosse isto o deserto. Quando se ia até á estrada dava para ter uma boa percepção do que era olhar para a imensidão de terra árida, o calor seco e o vento quente e não se ouvir nada (caso não passassem carros). Era algo do outro mundo. E passava lá uns dias sem problemas nenhuns mas não desta vez que ainda tinha muito km por fazer.



Dia 3 (Segunda) - Deserto de Tabernas -> Alicante - 450km

Este dia começou cedo,  tirámos umas fotos no deserto e lá fomos nós apanhar a A7 novamente. Iriamos em direcção a Valência e o meu objectivo era chegar lá mas eram 400 e tal km e ainda queria fazer um desvio até Carboneras e cedo percebemos que seria missão impossível. Mas como não tínhamos pressa, não estávamos preocupados.
Fomos a Almería pois diziam ser um sitio bastante bonito e com praias bastante boas mas... não. é apenas mais uma cidade costeira como as do Algarve, mas maior. Não me impressionou.
Vamos então para Carboneras, tinham-me falado maravilhas da vila e de uma praia chamada Playa de Los Muertos. Com este nome só pode ser coisa boa. A vila é bastante pequena e muito calma, óptima para umas férias em paz. A praia que queríamos ver fica fora da cidade numa área protegida. No caminho há uma fabrica de cimento o que nos fez ficar de pé atrás, cenário demasiado frio e cinzento para o sitio onde estávamos mas ao continuarmos a estrada facilmente esquecemos essa parte e ao chegar á praia já nem nos lembramos que havia uma fábrica ali em baixo. Um miradouro com uma vista brutal e uma praia com água transparente em que se vê peixes a nadar ao pé de nós. O caminho até á praia é que é bastante sinuoso, mas nada de mais, a recompensa é enorme. Demos uns mergulhos, secamos um bocadinho e seguimos caminho, pois era o pico do calor e nenhum de nós queria apanhar um escaldão, não seria nada bom para o resto da viagem. Fica a promessa que voltaremos com mais tempo.
Próximo destino seria a zona de Cartagena para continuarmos junto á costa pois a A7 ia mais por dentro e estava curioso para ver a zona de Torre Viejas pois vista no Google Maps, tem uma área rosa enorme, que são umas salinas. Almoçamos algures numa bomba de serviço e reparei que a mota começava a pingar gasolina de um dos respiradores do depósito. Não liguei muito, pensei que tinha enchido o depósito demasiado mas comecei a ficar preocupado pois não parava de pingar. Ao passar Cartagena a polícia num carro descaracterizado manda-me encostar numa saída da AE e vinham já com ar de poucos amigos. Ao chegarem perto de mim apontaram para a mota, que continuava a pingar gasolina e disseram que o melhor era arranjar um mecânico rápido e eu concordei pois queria era livrar-me da policia, não há muita paciência para interrogatórios. Ainda me perguntaram pelos documentos e pelo P que supostamente devia ter na matrícula. Informei-o que em PT é ilegal ter qualquer coisa na matrícula e como a mota é Portuguesa eu não me vou arriscar a levar multa em PT e que tinha enviado um mail para o consulado Espanhol em PT que me informou que desde a abertura das fronteiras na Europa que esses mesmos identificativos do país de origem foram tornados obsoletos, portanto eu não era obrigado a circular com ele. Torceram o nariz, tentaram pegar pelas inspecções pois não tinha o papel da mesma ao qual eu disse que não existiam inspecções em PT. Notou-se a cara de frustração por não poderem pegar com nada e mandaram-me arranjar um mecânico rapidamente. Ufff.
A partir dessa altura fiquei mesmo preocupado com o constante pingar, fomos a Torre Vieja mas já nem quis saber das salinas, que por acaso nem as conseguimos ver da estrada que passava mesmo ao lado, parecia so um terreno com água em cima, nada de mais. Queria era parar a mota num hotel e ver o que podia fazer. Continuámos em direcção a Valência mas para ir junto á costa apanhámos a nacional a seguir a Alicante, o que foi um erro enorme. Trânsito e hoteis super caros, chegámos a Benidorm no inicio da noite e foi outro erro. Aquilo é igual a Quarteira no verão mas com quatro vezes o tamanho repleto de ingleses bêbados e barulhentos. Hoteis a menos de 50 euros era ilusão e a mota não parava de pingar. O stress já estava a começar a aumentar em demasia. Decidimos voltar para trás para Alicante. Fiz uma espécie de garrote no tubo que pingava para ver o que acontecia mas mais uma má ideia: como o depósito não respirava, a mota ia-se abaixo. Esqueci essa solução obviamente. Chegámos a Alicante por volta das 22h, super cansados do dia atribulado e do stress e cheios de fome. Reparei que o pingar da mota não era assim tão grave pois o depósito não perdeu autonomia, fiz na mesma com um depósito (19L +-) os 350km que normalmente fazia em AE. Fiz o garrote na mota para não pingar durante a noite, tomámos banho e fomos encontrar um sitio para comer, que aquela hora teve mesmo de ser o Macdonalds numa rua igual á do Restelo em Lx, onde estão umas senhoras sentadas nas paragens de autocarro em trajes mínimos. O que nos valeu foi a noite quente e o quarto estupidamente confortável e barato neste hotel nos subúrbios da cidade.


 (não há mais fotos deste dia pois com o pingar da mota nem me lembrei mais de tirar fotos)


 Dia 4 (Terça) - Alicante -> Zaragoza - 500km

Saímos do hotel a meio da manhã, fomos atestar os depósitos e lá partimos em direcção a Valência pela A7 para depois seguir pela A23 até Saragoça. Gostava de ter ido junto á costa mas só de pensar que teria de passar em Benidorm de novo, deu-me uma azia que nem pensei duas vezes em apanhar a AE. A meio do caminho lá consegui falar com o meu grande amigo Quim, que trata da minha mota, e me disse que abrindo a tampa do depósito, bastava depois pressionar o o-ring que encosta no depósito e a chave saltava fora. Pois bem, assim o fiz e para quê? Assim ia com o depósito aberto para respirar e já podia colocar um garrote no tubo do respirador que estava a pingar. Se foi uma solução segura? não de todo, mas era a única que me dava alguma esperança de poder concretizar a minha viagem, mesmo que indicasse não puder encher o depósito todo para, ao travar, não deitar gasolina fora (o que chegou a acontecer algumas vezes... e o cheiro nauseabundo de gasolina queimada que ficava a seguir? ouch.).
A viagem correu sem incidentes e não parámos em lado nenhum em especifico, apenas nas imediações de Valência para almoçar algures. A meio da A23 o tempo começa a mudar e a ficar bastante cinzento e ao olhar pros carros em sentido contrário começo a reparar que alguns deles vinham molhados. Mau sinal, principalmente com o depósito aberto. Parei para vestir o casaco impermeável mas não tinha as calças impermeáveis comigo, pensei que não fosse chover assim tanto, mas sem medos. Uns km mais á frente começa a chover torrencialmente e a trovejar como se não houvesse amanhã. Devo dizer que andei á chuva uns 50 ou 60 km cheio de medo, mas a sentir-me vivo e agradecido por estar a passar por aquilo, principalmente com a Joelma no carro atrás de mim a controlar tudo.
Encontramos uma daquelas bombas que têm hostel por cima, claro que parei, completamente encharcado e fui perguntar qual seria o preço de uma noite ao qual respondem que estavam em obras e não tinham quartos disponíveis. Fiquei um pouco incrédulo com a má sorte mas não há nada a fazer. Indicam-me que 30km há sitio para dormir e eu nem hesitei, vamos lá de novo para o meio da chuva.
Os  30km a seguir foram feitos de chuva torrencial sem parar, sempre a 60 ou 70km/h em que até preferia ir atrás dos rodados dos camiões pois parecia que apanhava menos água do chão (como não tenho pára-lamas á frente, levo com a agua toda que está no chão, ou seja, chove duas vezes em cima de mim).
Passaram os 30km... a bomba e o sitio para dormir? Nem ver! Nada! Desapareceu tudo? A mulher enganou-me? E agora?
Faltavam cerca de 20km para chegar a Saragoça, mal encontrar um hostel eu paro!
Enquanto estou eu a pensar na minha sorte e no que faria a seguir e para onde ir, a chuva pára e fica um calor abafado que só visto, o que acontece a seguir? Nos 20km que faltavam, tal era o calor, sequei totalmente! Ainda bem que continuei viagem. Entrámos na Z40 para dar a volta á cidade, para não entrar e apanhar trânsito e saímos em direcção a Logroño, na A68. Parámos numa cidade ao lado chamada Utebo e fomos dormir ao hotel Europa no qual vi o preço no Booking.com primeiro e eram 45€ se não estou em erro. Dizem-nos na recepção que a noite seria 55€ e nós mostramos a APP com o preço mais baixo lá e eles nem disseram mais nada, disseram que podia ser os 45€ á vontade. Pudera, se não quisessem, eu marcava pela net e eles ainda tinham que pagar comissão. Está bom assim! Guardámos os veículos na garagem, ainda dei uma boa limpeza na mota (coisa que fazia todos os dias após as viagens), olear a corrente e dar uma vista de olhos geral no motor e na mota toda para evitar problemas de maior.
Bom quarto, cama confortável e só tinha as botas e as meias ligeiramente molhadas então toca de as meter por cima do frigorifico do minibar que estava bastante quente dentro do armário e secaram até á manhã seguinte! Top!

Chuva? Que ideia.
 
Paragem para vestir o casaco impermeável
Descansar o braço e a tampa aberta presa com tape.

 Dia 5 (Quarta) - Saragoça -> Biarritz - +-350km


Toca de acordar a meio da manhã, era Quarta-Feira, estávamos com uma boa média de km por dia e tínhamos mais que tempo de chegar a Biarritz pois eram pouco mais que 300 km até lá. Fomos ao supermercado abastecer de comida e água e lá fomos nós em direcção a Pamplona. Em vez de irmos pela AP68, pois é paga, apanhamos a que está mesmo ao lado, A68 e que belo erro que foi. Comecei a ver a estrada bastante degradada e com altos e baixos e placas constantes a indicar estrada em mau-estado (no shit sherlock). "Devem ser alguns km assim apenas, ou então apenas a A68" pensei eu. WRONG. Foram cerca de 160km de AE horrível (A68 e AP15), a pior estrada que já apanhei até hoje, cheia de camiões e solavancos, tão má que perto de Pamplona eu já estava em pânico, cheio de dores nas costas e com as pernas e braços dormentes e a pedir á Joelma para parar e ela sem perceber pois tínhamos atestado de manhã e o depósito nem tinha chegado a meio. Mal apanhei uma bomba parei a mota e deitei-me no chão cheio de dores, tal era o meu desespero. Tivemos de parar o carro no meio da bomba pois não havia sombra em lado nenhum e estava um calor de morte. Só pensava que se a estrada fosse assim por muito mais tempo acho que não era naquele dia que tinha chegado a Biarritz.
Comi um chocolate, bebi um Monster para acordar, descansei um bom bocado até já não sentir dores e estar mais confortável e lá seguimos viagem pela AP15 até San Sebastian, paragem obrigatória pois diziam ser a cidade mais bonita de Espanha.
O resto da AP15 foi fixe, apesar de muitos camiões pelo caminho, mas ao menos o alcatrão era de boa qualidade e já não tive mais problemas físicos. Chegámos a San Sebastian quase a meio da tarde, voltinha pela cidade para encontrar o caminho para a praia e lá estacionámos junto a uma com uma vista fantástica. San Sebastian é sem dúvida a cidade Espanhola mais bonita. Prédios que não causam poluição visual, algumas catedrais antigas bastante bonitas, a praia ao lado com montanhas á volta, tudo param se ter uma vida perfeita. Após um gelado, altura de seguir para Biarritz.
Viagem pela nacional, adorei as vistas e algumas terras á beira-mar por onde passámos já a seguir á fronteira.
Ficámos no Hotel D'Anjou, duas estrelas, ou melhor, num anexo que fazia parte do Hotel. Eu consideraria aquilo mais um Hostel que Hotel, o Anexo ficava na rua ao lado, era um prédio com dois andares com mais quartos e era caro para as condições que tinha, mas tendo em conta que Biarritz é tudo estupidamente mais caro, aceitei as tarifas, senão ficávamos sem sítio para dormir.
Guardámos as coisas todas no quarto, limpei a mota, estacionámos como deve ser no parque do hotel e fomos ver um pouco da cidade que é bastante agradável, facilmente vivia ali. Jantámos num bom restaurante á beira da praia e como som de fundo eram as constantes motas custom que passavam a fazer o barulho infernal, mas não a fazer barulho de propósito, as pessoas iam simplesmente a passear em grupos, calmamente e a apreciar a vista, grande feeling mesmo.
Mais uma voltinha pela cidade pra ver mais umas quantas motas, comer um gelado e fomos para o quarto descansar. Sei que ainda vi um jogo qualquer do Mundial do Brasil e acabei por adormecer.

A paragem a seguir a Pamplona
San Sebastian
Biarritz


 Dia 6 (Quinta) - Biarritz - Wheels and Waves


Era suposto termos acordado cedo para ir ver a competição de Surf do Wheels and Waves mas a cama foi mais forte e venceu e fiquei na ronha. A Joelma foi fazer umas compras e ainda antes de almoço fomos ao recinto do fest e demos umas voltas pelas bancas e vimos as centenas de motas que por ali andavam. Almoçamos qualquer coisa leve e fomos bater uma praia que ficava a uns 300 ou 400 metros do hotel, e que bela praia! Bom sol, boa brisa, agua verde-esmeralda limpinha e ficámos numa espécie de pontão que dava para dar grandas mergulhos. Uma excelente tarde após 5 dias de viagem intensivos!
A meio da tarde seguimos novamente para o farol da cidade onde era o Wheels and Waves, bastante agradável com ainda mais motas customizadas até perder de vista. Montes de pessoal simpático, falei com algum pessoal tuga que andava por lá, fomos ver a exposição de motas e fotografia no centro de Biarritz e era hora de jantar. Mais uma voltinha pela cidade e pelo recinto do festival e demos o dia por acabado.




 Dia 7 (Sexta) - Biarritz Wheels and Waves - Jaizkibel Punk's Peak Race

Este era o dia da primeira run deste festival, até um sitio montanhoso perto de Irun, já em Espanha. 40km de run e no topo da montanha 32 pessoas competiam em drag racing 1x1 até os últimos dois para decidir um vencedor. Estava um pouco nublado mas a run correu bem, alguns enganos no caminho mas lá se deu com o sítio. Tinha comida, bebida, musica, estava calor e a vista era algo do outro mundo, fazia lembrar as montanhas nos Açores pois de um lado tínhamos vista para a cidade e para a marina, e do outro era o mar. Após as corridas o ponto de encontro foi na marina de Hondarribia para a entrega dos prémios, hora de comer qualquer coisa e seguir caminho para Biarritz.
Jantámos de novo no restaurante do primeiro dia, junto á praia, outra volta pela cidade, mais um passeio até ao recinto do fest, bandas ao vivo e toda a gente de sorriso na cara pois estava a ser um festival com um ambiente bastante bom e positivo.
Voltei para o centro da cidade juntamente com o pessoal com quem estava e fomos para uns bares junto á praia e lá ficamos na conversa até ás tantas pois o tempo a isso convidava. Ainda vimos o Roland Sands (da Roland Sands Designs, sim, esse mesmo) a fazer das suas na sua Yamaha Custom, despedi-me do pessoal (pois ia embora no dia a seguir) e fui dormir contente por ter conseguido estar no Wheels and Waves e por ter conhecido pessoal tao simpático e por ter visto criações do outro mundo. Bucket List Check!



 Dia 8 (Sábado) - Biarritz -> Lisboa - +-1000km

Tínhamos decidido sair no sábado em direcção a Lisboa pois eu trabalhava na Segunda-Feira e pensava em pernoitar em Salamanca. Check out feito e saíamos nas calmas de Biarritz por volta das 11h, com o tempo já manhoso e quase a chover. Nacional até Irun e era suposto apanhar a A1 mas por distracção ou o GPS se ter baralhado, apanhamos a AP1. Era paga, mas sem stress, pelo que vi não era muito tempo, não podia ser assim tão cara (e não era, embora não me lembre do valor exacto). Estrada bastante boa, túneis enormes, boas paisagens e um bocado de frio mas nada que não se aguentasse. Passamos Vitoria-Gasteiz e a meio caminho com Burgos lá ficou melhorzinho o tempo, as montanhas começam a ficar para trás e em Burgos deixámos a AP1 e apanhamos a A62 que era de borla, era uma AE mas claramente em pior estado e muitas vezes parecia uma nacional, e estava em obras em certos pontos, mas fazia-se na boa, a paisagem era fixe, o tempo estava óptimo, venham km! Ah, uma dica: cuidado ao pagarem as AE's em Espanha, muitas vezes os cartões MB Portugueses não funcionam, é um sistema muita esquisito. O melhor é mesmo pagar em dinheiro pois nem os de Crédito por vezes aceitam.
Com as paragens habituais chegámos a Salamanca a meio da tarde, deviam ser umas 17h. Passamos os limites da cidade e apanhámos a estrada em direcção a Portugal e parámos na bomba de gasolina. A Joelma fez-me a pergunta pertinente: "Olha lá, não vais parar para dormir pois não?" - Como ela me conhece bem! Ri-me e realmente disse que não me apetecia parar, o tempo estava bom demais para andar de mota, boa luz, temperatura ideal, estrada vazia, só apetecia rolar sem parar! Comemos qualquer coisa, descansámos as pernas, uma power-nap para restabelecer energias. Fiz as contas e devíamos chegar entre as 21h e as 22h a casa e pensei: está perfeito!
Em Portugal fomos pela A23, claro, que percorremos com apenas um problema: não sei se era por ser mais ao final do dia e estar mais fresco mas apanhava tantos mosquitos que tive de parar algumas vezes para limpar a viseira do capacete! Surreal!
Entrámos na A1 no nó do Entroncamento e já era de noite e partir daqui, sim, senti uma dificuldade enorme. Parei nas primeiras bombas para atestar e segui para os últimos 100km que pareceram outros 1000. Já tinham sido muitos km nesse dia, estava cansado e o ser de noite não ajudava, até as luzes dos carros me faziam confusão. Tinha as pernas doridas e os pulsos doíam-me e nem o pisca conseguia fazer ás vezes, foi mesmo um martírio, pelo que decidi andar mais devagar por segurança, o que aumentou o tempo de viagem e só chegámos a casa perto das 23h. Admito que não me lembro de muito desses últimos 100km.

Chegámos felizes e cansados, ou melhor: de coração cheio e exaustos. Foi a minha primeira vez numa viagem assim tão grande de mota, foi a primeira vez da Joelma numa viagem assim tão grande de carro a conduzir, foi a primeira vez tanto da CB750 como do Smart a fazerem tanto km e que bem que se portaram, tínhamos tudo para estar radiantes.




O Domingo foi passado a descansar e o resto é história.
Há também alguns videos da viagem, quando me decidir a editá-los e a colocar online, meto por aqui.

Venha a próxima viagem ou expedição. Estamos prontos!


Stay gold.