01 julho 2014

El Caminito Del Rey - Setenil de Las Bodegas - Gibraltar


Bem, foi á um ano que eu e a Joelma agarramos no André e fomos até Espanha, Desfiladero de los Gaitanes, El Chorro - Málaga, para ser mais exacto. Já conheciamos o Caminito del Rey daqueles sites que mostram as coisas mais perigosas do mundo e este sempre foi catalogado como o caminho pedestre mais perigoso, e sendo "ao lado de casa", a curiosidade sempre foi mais que muita. Sabíamos que o caminho ia ser recuperado algures nos próximos anos portanto o tempo escasseava, Decathlon connosco para comprar o material de Via-Ferrata e vamos lá passar um dos melhores fins de semana de sempre.

Estive um ano para escrever este report, é verdade. Estava à espera de fazer o vídeo que filmei com a GoPro mas estou a ver que isso está transformado numa tarefa eterna. Prometo que vai saír ainda este Verão. Ou não.

Bem, saímos de Lisboa depois de almoço numa sexta-feira em direcção a Setenil de Las Bodegas, um sitio que tinha lido algures que era fantástico e bastante pitoresco. Chegar lá é que foi um filme, já era de noite, jantámos pelo caminho, na rua á porta de uma bomba de gasolina fechada porque tinha uma luz de presença, gipsy style, e por muitas voltas que dessemos, pareciamos não atinar com o caminho para a tal vila. Chegámos a entrar numa estrada em que numa parte tinha desabado o alcatrão todo e estava uma cratera gigante à nossa frente e ao saír do carro para ver deparo-me com a maior ventania que alguma vez passou por mim, ao ponto de ter que me agarrar ao carro para não caír. Acabamos por dormir na primeira vila que nos apareceu á frente e seguir caminho bem cedo para Setenil de Las Bodegas.

Após acordarmos e comer qualquer coisa, reparámos que estavamos a poucos km do nosso primeiro destino, tanto que demorámos uns 10 ou 15 minutos até lá, mas de noite e com aquele vento parecia que estavamos do outro lado do mundo! Engraçado quando começamos a descer para Setenil e vemos a vila em baixo e começamos a reparar realmente na arquitectura e em como as casas estão literalmente por baixo do monte. Demos uma volta pela vila, tirámos umas fotos, apreciámos o local e ficámos contentes por ter valido mesmo a pena, mas El Chorro chamava por nós.



Ao chegar ao desfiladeiro o nervosismo apodera-se de nós e mal começamos a ver o inicio do caminho e a altura e possivel dificuldade é inevitavel os comentários nervosos e a excitação e a adrenalina a aumentar. Estacionada a carrinha está na altura de nos equiparmos. Corda - Check. Mosquetoes - Check. Arnês - Check. Ténis - Check. Mochila - Check. Água - Check. Maquinas de fotos e GoPro - Check. Siga.

Começámos a subida até á linha do comboio que nos leva à entrada do caminho que são cerca de 6 ou 7 minutos a pé. Se pensarem em lá ir não se esqueçam que é ilegal andar por lá e a multa são cerca de 5000€, levem dinheiro ou então vão com mil olhos a ver se encontram a policia a rondar. Encontrada a linha temos que descer um pouco o monte que vai dar a um penhasco para a água e aí começa a via-ferrata mais perigosa do mundo e mantida ilegalmente por um grupo de escalada da zona, logo a segurança não deve ser de fiar, não tenham algum acidente e depois dizem que querem processar alguém. Não vai funcionar.

Digo desde já que o mais dificil do caminho é subir até ao mesmo pois temos que nos armar em macacos e esticar ao máximo para escalar horizontalmente uns 15metros de parede com apenas algumas saliências e uns ferros para pormos os pés. O inicio do caminho original foi deitado abaixo para ninguém subir ao mesmo então este é o unico caminho que existe, sike! Se fores baixinho vais passar mal, se fores baixinho e nervoso vais vacilar muito e se fores baixinho, nervoso e com vertigens, nem metas lá os pés pois quando olhas para baixo são uns 100 metros de altura, mas ao menos a queda é para dentro de água.


Ao colocar os pés no caminho original é um respirar de alívio, penso que seja tipo a calma antes da tempestade. É o apreciar da vista, o apreciar do que escalámos para ali chegar, é o aproveitar o calor (e que calor), o "fresco" do vento (e que ventania, quente apesar de forte), o sentirmo-nos pequenos no meio de tamanho desfiladeiro (nem quero imaginar no Grand Canyon então). Seguindo as normas de segurança de estar sempre preso à via-ferrata, fomos andando até ao primeiro desafio: uma curva de praticamente 90 graus em que o caminho cedeu e só havia uma viga de ferro para colocar os pés a cerca de 1 metro da parede. Respirar fundo, mãos na parede, pé ante pé e em menos de nada já tinha passado. Fácil! Mas devo ser eu que lido bem demais com alturas e este tipo de dificuldades. Ao virar a esquina o vento fica bastante forte ao ponto de ter feito voar o chapéu da Joelma e nunca mais o termos visto. Passámos uma espécie de ponte em ferro que tem água a passar pelos lados e chegámos a uma parte mais abrigada com uns túneis. Um deles iria dar a um buraco na parede do desfiladeiro e viamos o inicio do percurso, uma vista brutal. O outro apenas seguia o caminho até ao final, devia ser onde tinham os vagões. Logo aí mais á frente deparamo-nos com uma placa a indicar o local onde faleceram 3 amigos quando estavam a acampar no local. Mais à frente no caminho também há uma placa de uma outra pessoa que faleceu ao caír dali para baixo. Os 3 primeiros ao acampar e pelos relatos que há na net, já estariam um pouco embriagados e caíram. O outro foi fazer o caminho num dia de muito nevoeiro e a coisa não correu muito bem. As pessoas não podem facilitar e muitas vezes esquecem-se dos perigos.

O caminho faz-se todo bastante bem e a vista é fantástica. O mais brutal é olhar para trás e chegarmos á conclusão que passámos por ali, por aquele sitio a mais de 100 metros de altura da água lá em baixo, um caminho ridiculamente estreito e a caír aos poucos. A adrenalina aí sobe de novo e ficamos com mais vontade de continuar e ver mais ainda!

Cheg.amos ao final da primeira parte e não sabíamos se havíamos de continuar ou descer até ao rio e subir até á linha do comboio para irmos embora. Ficamos ali um pouco na dúvida e decidimos descer até ao rio para ir embora. Andamos ali ás voltas, passamos o rio descalços e tratamos de arranjar maneira de subir a ravina. Lá encontramos um cabo no chão colocado por alguém para aquele propósito e subimos sem problemas. Entramos na linha de comboio e apanhamos um grupo de Portugueses que vinham mais de trás e perguntámos se o caminho afinal continuava, o que confirmaram, que havia mais uns quantos metros de caminho. Ficámos indignados e um pouco chateados por não termos seguido, mas o caminho estava feito, tínhamos percorrido o caminho mais perigoso do mundo. Não havia que ficar triste mas sim orgulhoso e feliz por partilhar aquele momento com a Joelma e com o André, melhor companhia não podia pedir.

Fomos para o carro contentes, arrumámos tudo, fomos almoçar perto da estação de El Chorro e seguimos caminho até Gibraltar. Passámos por Marbelha pelo caminho e fiquei impressionado com a cidade, bonita, ampla, boas praias, gente bonita e motas fixes por todo o lado. Não ficámos porque queria ir ver os macacos a Gibraltar, era o meu objectivo a seguir. Chegámos ao final do dia e o André teve que ficar no lado espanhol pois só se podia passar a fronteira para Gibraltar com identificação, a qual ele tinha deixado em Pt. Sem stress, ele foi até á praia um pouco e eu e a Joelma subimos o parque natural e fomos ver os unicos macacos selvagens ao ar livre da Europa. Têm bastante piada, curiosos com tudo e fazem algumas parvoices como tentar roubar o lenço de uma mota ou tentar partir um espelho da mesma. Até acharam que a minha carrinha era um bom poiso e andavam la por cima e pendurados no espelho.




Hora de voltar e ir apanhar o André e de procurar sitio para dormir. Tinhamos pensado em Algeciras pois é onde toda a gente fica quando apanha o barco para Marrocos e sempre tive curiosidade em conhecer. Tem um porto gigante e por sua vez cheira um pouco mal, talvez pela água parada do porto. Procurámos o sitio mais baratinho numa pensão qualquer de aspecto duvidoso mas confortável. Andámos um pouco a pé á procura de restaurante e no meio de tanto restaurante africano não foi dificil escolher. Ao irmos para o quarto pensámos todos o mesmo: Algeciras é uma chungaria que não se pode! Não quer dizer que me sinta ameaçado lá, mas é realmente chunga. Recuperamos energias e no dia seguinte viemos embora para Lisboa directo, com um pequeno desvio nas Minas de São Domingos só para recordar quando lá estivemos a última vez.


Não sei se vai ser possível ir lá de novo antes de recuperarem o sitio, mas seria bom de voltar a acontecer e principalmente se conseguisse passar a noite lá dentro. Brevemente irei editar o video e colocá-lo online. Ou não.

Stay Fresh 

PS - Ficam dois vídeos que fiz upload para o Youtube só para terem uma uma noção. Enjoy.




30 julho 2013

Viagem a Istambul - Abril/Maio 2013


Desta vez decidimos que iriamos até Istambul. Talvez influenciados pelo Assassin's Creed, que se passa na altura de Constantinopla, ao menos penso que foi uma boa influência e o jogo permitiu-nos ter uma semana de férias maravilhosa e de um choque cultural brutal.

Partimos de Lisboa no dia 28/04/2013 ás 22h45 em primeira classe, o que é optimo pois não aturas ninguém e os bancos são mesmo confortaveis, em direcção a Bucareste onde ficamos até ás 4h45, hora em que partimos para Istambul. Não saímos do aeroporto, e comprar algo lá dentro tornou-se uma missão dolorosa visto ser tudo estupidamente caro... uma Coca Cola e uma água cerca de 6 euros ou 7? Jesua!

Chegamos a Istambul ás 9h50 da manha e apanhamos um taxi para o nosso hotel que ficava em Sultanahmet. Transito de loucos a entrada em Istambul, carros em todo o lado, filas enormes, mas tendo em conta que a cidade tem 13 milhões de habitantes (6 milhões do quais são do Galatasary como me disseram mais tarde), até achei que o transito era bastante aceitável.


Fomo em direcção ao hotel, Asur Hotel para ser especifico, 3 estrelas baratinho mesmo no centro com pequeno almoço incluido. Era optimo e tudo o que precisavamos para dormir! E por falar em dormir, estavamos quase de directa e como tal mal cheguei ao quarto e me encostei na cama, adormeci, o que deu tempo para a Joelma organizar as coisinhas dela e tomar um banho e tal. Soube-me pela vida!



Fomos então passear pela cidade a pé, demos a volta a Sultanahmet inteira basicamente. Visitamos a Mesquita Sultan Ahmed, visto não se pagar e ficamos logo impressionados pelo tamanho. Deu para tirar um folheto informativo sobre o Islamismo, o que foi um ponto bastante positivo e pude aprender mais sobre a religião, que me surpreendeu bastante. Logo ao lado havia o Arasta Bazar onde fomos almoçar e beber um sumo de Romã, e que bendito sumo! Bazar bem organizado e com poucas pessoas, aconselho a quem quer umas compras mais calmas. Andamos em direcção á Universidade e descemos até ao Grande Bazar, o maior Bazar fechado do mundo, o qual passamos dum lado ao outro só para dar uma vista de olhos. De loucos! Milhares de pessoas, centenas de lojas e empregados a chatear para comprar ali porque ali é que é bom, quando nem diferencias as lojas... uma confusão que só visto mas que sem dúvida vale a pena experienciar. Prefiro o Spice Bazar, mas isso falo mais daqui a pouco.
Saímos do Grande Bazar numa saída qualquer e começamos a descer em direcção ao rio. Como não consegui identificar bem onde estava pelo mapa, fomos andando em direcção á Galata Bridge, só sabíamos que era sempre a descer. Acabamos por passar num bairro surreal, parecia Turquia interior esquecida, casas de 2 andares em madeira, putos a jogar á bola descalços e aqueles cotas de fato desfraldados om alta bigode, que parecem acabados de saír de um filme de terroristas qualquer, tudo a olhar para nós enquanto passavamos e a pensar: que raio estão estes turistas a fazer nesta rua? Claro que eu pensava: Se me derem uma facada e me deixarem pra morrer, nunca mais ninguem sabe de mim! Mas lá continuamos na boa e nada aconteceu!
Jantamos num restaurante qualquer, a comida nao impressou muito, talvez por ser meio pro turista, se bem que tinha alguns turcos a comer lá. Passeamos pela Galata Bridge á noite, um cheiro a peixe assado enorme que vinha dos pequenos stands que faziam as tipicas sandes de peixe de Istambul. Após o dia enorme fomos para o hotel e adormeci num instante.














Dia 2 – Depois de um pequeno almoço que nunca achei nada do outro mundo lá no hotel mas que completava os requisitos, fomos até Hagia Sophia para descobrir que havia um cruzeiro na cidade e que estava a abarrotar de turistas. Deixamos esse plano para trás e fomos apanhar o autocarro para a igreja de Chora. E que filme para apanhar o autocarro. Iamos a entrar no autocarro e pedimos dois bilhetes, como o Sr. Condutor não percebia nada que não fosse Turco, assobiou para alguém que lá veio a correr e disse que nos vendia dois bilhetes. Estranhamos e desconfiados queríamos ir comprar na bilheteira ao qual ele retorquiu um pouco chateado que tínhamos que andar bastante e que lá saíria mais caro. Voltamos a chama-lo e decidimos comprar-lhe os “bilhetes”. Damos-lhe o dinheiro, ele passa o bilhete electrónico duas vezes na maquina que fica na entrada do autocarro e diz-nos para entrar que já estava. Achamos o esquema muita manhoso mas como o condutor não disse nada, deixamo-nos ficar. Visitamos a igreja que impressionou pelos seus tectos feitos com mosaicos, bebemos o típico sumo de romã num cafezito local, decidimos o que fazer e partimos de novo á busca do autocarro de regresso. Entramos no autocarro e pedimos dois bilhetes. O condutor era um senhor bastante simpático que tinha vivido na Alemanha, falava pouco inglês mas lá nos compreendemos. Ele explicou que realmente eles estão proibidos de vender bilhetes e que temos que os comprar a alguém que tenha passe, ou seja, chamou por alguém que tivesse passe e pudesse dar duas viagens a troco de dinheiro, o senhor passou o passe dele duas vezes no controlo electrónico e demos-lhe o dinheiro dos bilhetes e pronto, é assim que funciona o andar de autocarro na Turquia pois até os locais faziam isto. Paramos na Mesquita Fatih, uma mesquita bastante grande e bonita e já em Sultanahmet fomos á Mesquita Nova dar uma vista de olhos. Bem, a Joelma deu uma vista de olhos, eu comecei a reparar que eram todas iguais por dentro e comecei a ficar na sombra a descansar cá fora. Claro que adormeci no autocarro e não vi metade da viagem! Como era a seguir á hora de almoço, pensamos que o pessoal dos cruzeiros já deveria estar a almoçar ou a passear pela cidade e fomos até Hagia Sophia. Realmente já se podia entrar á vontade e ficamos pasmados com o tamanho, uma antiga igreja ortodoxa Grega transformada em mesquita Imperial e hoje em dia um museu. Havia uma parte com obras de restauro mas deu para passar ali umas boas dezenas de minutos ao fresco e a admirar todos os pormenores.  Daí partimos para o Spice Bazar, a meu ver melhor que o Grande Bazar pois não tem tanta confusão. É mais pequeno e embora tenha bastante gente, só de pensar que a distância a percorrer é muito menor que no Grande Bazar, dá outra vontade de passear por lá. Antes de entrarmos no hotel passamos numa pequena loja tipo mercearia em que conhecemos um senhor do Curdistão bastante simpático que nos ofereceu chá de maçã após uns minutos de conversa. É normal na Turquia oferecerem chá ás pessoas caso apreciem a nossa companhia. Fomos tomar um banho e descansar as pernas e á noite jantamos no restaurante Imbat, que tínhamos marcado estávamos ainda em Portugal. Topo de um hotel com vista para a cidade, restaurante Turco gourmet. Nem sei o que dizer da comida, era fenomenal e vale mesmo a pena porque é bastante barato para nós devido ao nosso poder de compra. Digamos que duas pessoas que comeram entradas, prato principal e sobremesa, e era quase tudo o mais caro que havia, ficou em cerca de 35 euros. Melhor é impossível e o atendimento era excelente. MaŞAllah nazar deĞMesİN.  Acabamos por dar uma volta nocturna pela zona de Hagia Sophia, gosto sempre de visitar os sítios de noite com menos pessoas e mais calmamente.











Dia 3 – Custou-me um pouco a acordar, foi um pouco mais tarde que o normal e como queríamos ir a Topkapi devia ter saltado da cama mais cedo, mas não o fiz. Realmente Topkapi estava á pinha, centenas de pessoas em cada fila para ver o que quer que fosse. Fomos vendo o que conseguíamos nos sítios que tinha menos pessoas, demos uma volta pelos Salões onde viviam as mulheres do Sultão e os eunucos, vimos a sala do Trono e pensamos que já estaria menos pessoas no resto… errado! As filas eram enormes mas reparamos que também o eram porque as pessoas vão devagarinho ver cada peça exposta e ler tudo o que está lá. Decidimos passar ao lado da fila, entrar nas salas e ver tudo assim por alto, havia jóias e algumas armas, era engraçado mas nada do outro mundo e não valia a pena a espera, de todo. O próprio sitio era mais bonito de se ver por fora do que propriamente as coisas que estavam expostas, e uma das atracções principais, a Adaga de Topkapi encrustada de esmeraldas, tinha muito pouca gente a admira-la. Demos uma volta pelas salas que contém os tesouros mais valiosos da religião Islâmica que são de deixar qualquer um de boca aberta, inclusivé tinha uma pessoa a ler o Alcorão constantemente, o dia todo, o que nos envolvia totalmente no que estávamos a ver, como se fosse hipnotismo (checkem por Palácio de Topkapi no Google e vejam o que há por lá). Ao saír de Topkapi fomos pelas traseiras de Hagia Sophia em que descobrimos umas salas com túmulos da família real e fomos á Cisterna da cidade. Bastante húmido e quente, tudo iluminado desde o chão e com peixes gigantes dentro de água que metiam medo. Em duas colunas ao fundo da cisterna, na base, existe esculpido na pedra duas cabeças de Medusa que se pensa terem sido roubadas aos Romanos, o porque de terem sido colodadas ali é ainda um mistério. Apanhamos o eléctrico para irmos á praça Taksim mas era dia 1 de Maio, dia do trabalhador, sempre marcado por manifestações e confrontos com a policia. O eléctrico não passava a ponte de Galata por isso mesmo então decidimos ir a pé. Fomos até á torre de Galata em que nos fartamos de subir aquelas ruas inclinadas. Subimos a essa tal torre, uma das mais antigas da Europa e estivemos a apreciar a vista durante um bom bocado, o que significava descansar as pernas também. Saímos da torre e tentamos encontrar o caminho até Taksim, coisa que não conseguimos, os mapas não eram muito explicativos e aquela zona tem tantas ruazinhas que acaba por ser confuso. Fomos sempre a descer e lá perguntamos a umas pessoas a direcção de Taksim e se já era seguro ir até lá, ao qual responderam que sim. Começamos a subir a rua e víamos jornalistas de mascaras de gás na mão e pensamos que talvez não fosse boa ideia.  Já perto de Taksim estava um bloqueio policial e não deixavam passar ninguém, demos uma volta pelas imediações e não havia nada de especial para ver ou fazer. Comemos num cafezito qualquer e perdemo-nos pelas ruelas desertas daquela zona da cidade até chegarmos á paragem de autocarro para irmos de volta para o hotel. Á noite fomos á procura de um banho turco que desse para os dois. Andamos perdidos á procura de um chamado mesmo Sultanahmet Baths (se não estou em erro) no qual estava um senhor que dizia que podíamos os dois estar no banho á vontade pois era mixed e que era very good nice. Jantamos num sitio com uns senhores muita simpáticos, comemos uma pizza turca que era deliciosa e ainda nos ofereceram chá e as entradas por termos voltado lá para jantar após pedir direcções para os banhos. Hospitalidade turca no seu melhor!  
















 Dia 4 – Dia ocupado com o cruzeiro no Bósforo. Compramos os bilhetes e lá fomos nós apanhar o barco que nos levaria até Anadolu Kavagi. Eu estava em extase por pisar solo asiático pela primeira vez, principalmente na única cidade do mundo que abrange dois continentes. A viagem correu bem, já não me recordo bem mas foram quase 2 horas de caminho e deu para conhecer Istambul de outra maneira, uma vista magnifica com as várias casas á beira da água e alguns palácios. Já em solo asiático subimos até uma fortaleza que servia para vigiar quem vinha do Mar Negro, e que subida! Havia muita gente já a tentar cuspir os pulmões e a parar pelo caminho mas felizmente até estamos bem preparados fisicamente e embora eu nestas férias andasse mais cansado que o normal, não custou assim nada de especial. Não tem muito para ver, apenas tem uma vista brutal e depois uns quantos restaurantes algo caros para o turista comer. Como não havia mais nada á volta e estávamos cheios de fome, lá teve que ser. Reparamos que todos os cães têm tags de plástico nas orelhas, deve ser identificação para controlar a população e andam livremente pela rua. Comemos um geladinho e voltamos para o barco. Penso que foi também neste dia que comemos o típico gelado turco que é elástico em que fazem truques com o mesmo antes de o darem ás pessoas. Vale a pena ver os diversos vídeos no Youtube sobre estes malabaristas de gelados para termos uma noção. E acho que foi também neste dia que comi o melhor Kebab até hoje. Um sitio tão pequeno que só tinha balcão pra rua e com montes de miúdos da escola a comprar lá e pensei: deve ser típico e barato, para ter tantos miúdos aqui. Custou-me 2 liras turcas (o equivalente a 84centimos) e soube-me pela vida! O pão era óptimo, a carne estava no ponto, a salada era a suficiente e o molho a fugir para o picante era das melhores coisas! Fenomenal sem duvida. Compramos uns recuerdos no Spice Bazar, principalmente Turkish Delight que era uma delicia. Só de pensar fico com água na boca, mas nada de coisas em pacote, era artesanal. Ainda fomos a mais um mercado na rua para comprar umas coisas, bem tentamos negociar e de vez em quando fazem-se bons negócios mas há certos produtos que eles são mesmo inflexíveis. Antes de ir para o hotel passamos no nosso amigo do Curdistão para comprar umas garrafas de água e fomos deixar as coisas ao quarto para depois ir ver o Benfica a jogar com o Fenerbahce para a segunda mão da passagem á final da Liga Europa. Decidi comer no restaurante em frente ao hotel e para azar (ou não) meu eram todos do Fenerbahce. O Benfica saiu vitorioso para desespero de toda a gente no restaurante, piadas para aqui e para ali mas no final foram todos extremamente simpáticos e prestáveis. Foi um bom final de dia, sem duvida.











Dia 5 – Ultimo dia em Istambul. Acordamos nas calmas e fomos até ao ultimo sitio que queríamos mesmo ver antes de ir embora e que tinha sido impossível uns dias antes devido ao feriado do dia 1. Apanhamos os transportes até á praça Taksim e fomos passear pela Avenida Istiklal, a rua com mais comércio e com mais turistas de Istambul. Tantos turistas que nem sabemos onde pisar! Deu para ver uma igreja cristã bastante bonita pelo caminho, ver umas ruas laterais com bastante comércio e lojas no meio da rua como se fosse um mercado de jóias e roupa. Deu para gravar um outro malabarista de gelados e ver a hora da reza mais importante da semana em que quase a cidade toda pára para rezar. Fomos a pé até á ponte de Galata e a Joelma decidiu comer uma sandes de peixe tradicional daquela zona, já eu passei esse plano, não era coisa que me fascinasse. Fomos dar uma ultima volta pelos mercados, bebemos café turco que até era bastante bom e fomos para o hotel para ir buscar as malas e ir para o aeroporto que tínhamos que estar lá ao final da tarde. Ao saírmos do hotel os senhores do restaurante em frente onde tínhamos visto o jogo oerguntaram se já iamos embora, que era uma pena e se queríamos entrar para beber chá caso tivessemos tempo. Tivémos que dizer que não pois já estavamos em cima da hora, o que foi pena. Fomos de transportes e mais uma vez deu para ter outra prespectiva da cidade que é sem dúvida gigante. Apanhamos o voo e fizemos escala na Roménia novamente, mas desta vez de 6 horas. Digo desde já que voar na Turkish Airlines é bastante bom, tão bom ou melhor que a TAP. Como era sexta-feira o nosso querido amigo André “Avô Azias”, que mora em Bucareste, foi com a namorada, a Laura, buscar-nos ao aeroporto para visitar a cidade. Ficamos ambos bastante surpreendidos por toda a arquitectura e ambiente da cidade. Sem dúvida que é uma Paris em ponto pequeno, tudo muito bonito e arranjado. Para quem quiser umas férias bastante baratas e num sitio muito agradável não deixe de visitar Bucareste e ainda pode ir ver a floresta e o castelo do Dracula! Fomos a uma espécie de bairro alto da zona cheio de gente bonita e bem disposta, bares/discoteca abertos para toda a gente e com musica para dançar. Ficamos umas 3 horas com eles e fomos de novo para o aeroporto para apanhar o voo de madrugada para Portugal. Mais uma vez perguntaram-nos se queríamos passar para a Primeira Classe visto terem espaço (ter conhecimentos é outra coisa) e o que aproveitamos na viagem anterior, desta vez dissemos que só queríamos dormir e assim foi, só acordamos ao aterrar em Lisboa.











Conclusão: Istambul é maravilhosa, cidade enorme com muito para ver. Boa comida, pessoas simpáticas e prestáveis, tudo bastante barato se fugirmos ao típico mercado do turista. Vale a pena visitar e pode-se fazer com pouco dinheiro e uma mochila ás costas. Tenho saudades de ouvir os chamamentos para a reza que dão um ar mágico a toda a cidade. Acabamos por conseguir visitar Bucareste que certamente vai ser um futuro destino de férias, bastante agradável e barato para se passarem uns dias económicos. Havemos de voltar á Turquia, não só a Istambul mas como ao interior, quero muito visitar o interior e a costa da Turquia, mais conhecida como Riviera Turca.

Não temos muitas fotos porque decidimos filmar mais videos dos locais do que propriamente ver tudo por fotos, acabamos por ter uma noção muito maior das coisas em video, mas como demoram uma eternidade a carregar, deixo aqui apenas alguns e o resto podem pesquisar pois no Youtube existe tudo. Ou então vão até lá, é a melhor dica!

Stay Fresh